Paixão de Ônibus



É monótono pegar o ônibus todos os dias e ser sempre a mesma coisa. Entrar, cumprimentar o motorista, pagar a minha passagem de caminho a faculdade e me encaminhar direto ao meu lugar. Parece ser tudo tão igual. Todos os dias são exatamente as mesmas coisas. Não me preocupo de fazer isso todos os dias. Não me preocupava até meu coração acelerar pela primeira vez dentro do ônibus.

Foi coisa muito rápida, não deu tempo de parar e dizer para o coração se aguentar. Faz parecer que eu esteja à procura de alguém, mas meu coração aparentemente é confuso, eu não estou a procura de ninguém. Eu confio nele. Meu coração não é um lar de arranjos em que eu vou encontrando pessoas bonitas e as fazendo minhas crushes. Não, ele não faz isso.

Tem momentos que ele costuma acelerar ainda mais rápido que o normal. Em outras vezes ele consegue se aguentar, mas não é sempre. É difícil entender ele. Não me forço a não gostar das pessoas, busco soluções que sejam realmente cabíveis a ele e então ele se aquieta. Não adianta gritar comigo mesmo dizendo: “não posso gostar dessa pessoa”, porque quanto mais fazer isso, mas lembrarei da pessoa.

Cabelos castanhos, pele meio clara, poucas sardas e um sorriso encantador. É loucura analisar cada detalhe que uma pessoa acaba emitindo e muitas das vezes até sem que perceba o que se faz. É loucura, eu confesso. Quando ele entrou no mesmo ônibus que eu e o avistei sentado, despojado, como quem realmente não se importa com nada e com um sorriso esbanjado ao mundo eu não conseguia pensar em mais nada. Ele passava frente aos meus olhos, não demorava muito, em minha imensidão calorosa eu só queria continuar olhando.

Precisava entender que aquilo era momentâneo. Respirei e tentei acreditar nisso.
No dia seguinte cá o vejo novamente. As mesmas neuras do coração se exalam e emitem uma nova emoção ao ver seu sorriso. E agora não há como negar a possibilidade de vê-lo todos os dias. Agora meu coração que antes era grandioso e forte se amolece e começa a misturar-se com meu lado mais emotivo. Quando realmente paro para refletir nas decisões que meu coração está tomando acabo vendo que mesmo insistindo em não tentar notar você, meus olhos se direcionam ao teu. Com o coração revirado não sei a quem pedir ajuda. Começo a sofrer sozinho, mas sei que será passageiro. "Tudo o que dói um dia há de passar".


*Fonte da Imagem: clique aqui.

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